O Computador e a qualidade dos sons
Dicas para gravação e reprodução de músicas com boa qualidade.
O que é o som
Quase todo mundo já viu o que acontece quando se joga uma pedra na água de uma lagoa: ao cair, a pedra produz uma pequena onda em forma de círculo em volta dela. Por sua vez, essa onda produz uma nova onda, com diâmetro maior, porém de menor intensidade. E assim sucessivamente, com as novas ondas ficando cada vez mais fracas à medida que se afastam do local onde a pedra caiu, até deixarem de ser produzidas.
O som tem características semelhantes: é constituído por movimentos ondulatórios do ar (daí o nome “ondas sonoras”); um “vai-e-vem” produzido pela vibração de algo, como a corda de um instrumento ou de nossas próprias cordas vocais, por exemplo.
O número de vezes que o movimento de vai-e-vem se realiza em cada segundo, é a “freqüência” do som, cuja unidade de medida é o conhecido “Hertz” (Hz).
Freqüências audíveis
Nossos ouvidos não têm capacidade de perceber os movimentos do ar de qualquer freqüência, apenas as que se situam na faixa que vai de 20 até 20000 Hz. Na verdade, são poucos os que conseguem ouvir sons com freqüências acima dos 15000 Hz – normalmente só os mais jovens – mas os especialistas garantem que a presença de freqüências mais altas, mesmo não ouvidas, é indispensável para a perfeita reprodução do timbre dos instrumentos.
São essas ondas sonoras que um microfone capta e transforma num sinal elétrico, cuja intensidade aumenta e diminui com a mesma freqüência. Portanto, a qualidade do som que você vai obter começa dependendo da qualidade do microfone que for utilizado, passa pela qualidade com que foi gravado e termina na qualidade do equipamento que você usar na reprodução. Não adianta, por exemplo, você ter um CD de altíssima qualidade e um excelente amplificador, se ligar a ele caixas de som de má qualidade, incapazes de reproduzir todas as freqüências.
Como obter sons de qualidade
O formato original de uma onda elétrica digitalizada, é o WAV. Teoricamente é o mais perfeito, porém depende da configuração adotada para o formato e a taxa de amostragem. De forma simplificada podemos dizer que o formato da amostragem é a quantidade de bits gravados a cada segundo, (Kbps ou Bits) e a taxa a velocidade com a qual o sinal elétrico é analisado para efeito de captura dos bits (medida em Hertz)
Resumindo, quanto maiores a taxa e o formato da amostragem, maior será a qualidade do som e também… o tamanho do arquivo.Por padrão é adotado normalmente o formato de 16bits e a velocidade de 44.100 Hz. Considerados satisfatórios para uma boa qualidade de som.
O problema do formato WAV é o grande tamanho do arquivo necessário para termos uma qualidade de som satisfatória. Com esse formato, consegue-se gravar no máximo umas 15 músicas apenas num CD. Enquanto que, convertendo os arquivos WAV para MP3 caberiam mais de 100 músicas!
O formato MP3
Na conversão de um arquivo do formato WAV para MP3, tudo que existe na gravação original e praticamente não influi na qualidade de reprodução do som, é eliminado. Com isso, o arquivo fica “comprimido” com drástica redução em seu tamanho. Não perde na qualidade do som, desde que seja feita – também neste caso – uma configuração adequada. Neste caso, para obter uma qualidade de som de CD, deve-se escolher a freqüência de 128 Kbps e 48.000 Hz, ou pelo menos 44.100Hz. Nessa conversão vale também o aviso: diminuindo esses valores é possível conseguir arquivos com tamanhos menores, mas com prejuízo na qualidade do som.
Dá para melhorar o som depois dele já ter sido gravado?
Quem não tem experiência no assunto, às vezes imagina que, pegando um arquivo em MP3 gravado em 32Kbps e 8.000Hz e re-gravando-o a 128Kbps e 48.000 Hz, vá obter som de melhor qualidade. Na realidade, isso não acontece, pois ao ser gravado com taxas mais baixas, a economia no tamanho do arquivo é obtida com o corte das freqüências mais altas e mais baixas. E uma vez que elas já não estão presentes no arquivo, não há como faze-las aparecer na nova gravação. A única forma que imagino possa dar algum resultado (não testei) seria reproduzir a músicas no PC usando um player que tenha um equalizador com dez controles para cada canal, ajustar esse equalizador para reforçar os sons mais graves e mais agudos e voltar a gravar a música quando estiver sendo reproduzida.
Usando o PC para ouvir músicas.
Esta última parte deste artigo é de interesse apenas para aqueles que possuem ou que pretendem comprar placas e caixas de som incrementadas com a finalidade de ouvir músicas em seu PC, que, para disporem realmente de som de boa qualidade, preferir equipamentos que tenham as seguintes especificações:
Um bom equipamento deve ser capaz de reproduzir toda a faixa de freqüências que vai de 20Hz à 20000Hz de modo mais uniforme possível, próximo de +/- 3dBs, com uma taxa de distorção (DHT – Distorção Harmônica Total) baixa, de cerca de uns 5% apenas ou próximo disso.
A potência do amplificador, depende muito do gosto pessoal. Mas chamamos a atenção para um detalhe importante: Há amplificadores (e caixas de som também), com potência especificada em Watts RMS (WRMS) e outros em Watts PMPO (WPMPO).
A potencia em Watts RMS é medida aplicando-se ao amplificador um sinal de áudio de 1000Hz de forma permanente e por isso, na verdade, indica a potência media que o aparelho é capaz de fornecer. É um método prático, que serve perfeitamente para se ter uma idéia da potência do amplificador, e eu o considero ideal para ser usada na comparação entre a potência de vários aparelhos para se ter idéia da diferença de potencia entre eles.
Nessa medição, o sinal aplicado à entrada do amplificador é constante, o que não existe quando se está reproduzindo uma música, que é formada por pulsos de energia de curta duração. Assim, um amplificador que forneça, por exemplo, 20 WRMS quando submetido a um sinal com nível constante, alcançará potência maior ao reproduzir pulsos curtos. Para refletir a potência real que um amplificador poderá fornecer reproduzindo músicas, inventou-se nos EUA a medição da potência na reprodução de pulsos de sinal. De onde surgiram os tais WPMPO.
Esse sistema de gravação apresenta – pelo menos aqui no Brasil – um grave problema: Não há regras padronizadas sobre como a medição deve ser feita. Cada fabricante adota métodos diferentes. Com isso, um amplificador com 20WRMS de um fabricante pode informar que sua potencia em WPMPO é de 200W, enquanto o de um outro fabricante de produto exatamente igual, dirá que a potencia PMPO é de 1000W.
Pode parecer exagero meu, mas é apenas um exemplo do que tenho visto em anúncios, nos casos em que são informadas as duas potências. Ou seja, não há como relacionar a potência RMS com a PMPO na hora de escolher um equipamento. Deve-se sempre comparar a potência em WRMS de um amplificador com a potência em WRMS do outro, para se ter idéia da diferença de potência entre eles. Além, é claro, de escolher produtos de empresas conceituadas, uma vez que, como ocorre com fabricantes de fontes de alimentação, entre os de equipamentos de som também há aqueles que informam características “inventadas” e não as que o aparelho realmente tem.